Pelo andar das tratativas, percebe-se que as cúpulas de PT e PMDB colocarão um freio na rebeldia encenada e cunhada e manterão à reeleição a mesma chapa Dilma/Temer que ora governa o Brasil.
No entanto, a fumaça que exalará desse estranho cachimbo da paz não será jamais capaz de esconder situações como as verificadas no Rio Grande do Sul, Bahia e Rio de Janeiro, onde o maior partido de oposição tem atuação política insignificante, e quem faz às vezes dessa são os coronéis regionais abrigados na mesma legenda do vice-presidente da República. Sem levar em conta outros cenários regionais em que o PMDB não é hegemônico na tarefa de fazer oposição, mas pactua com muita desenvoltura nesse mister, como se fosse a coisa mais normal do mundo um partido fazer oposição a si mesmo.
Beneficiado por uma legislação execrável, talvez o pior entulho que o autoritarismo nos legou politicamente, seguem os pemedebistas como os maiores guardiões desse trapo castrense na medida em que sabem ser ele a garantia de que seu poderio regional não será tão facilmente derrotado, constituindo-se sempre na manutenção de seu status governista. Seja que governo for. E, de quebra, que também continuarão aliados a segmentos oposicionistas e prontos a somar com esses, caso venham a transformar-se em governo. É a exacerbação desvairada da dialética da velhacaria. Credo!

Um comentário:
O descaso com a segurança pública neste estado subdesenvolvido chamado Pará tem tido consequências danosas á população, como a chaga das milícias e grupos de extermínio, que estão atuando impunemente e sob a complacência das forças policiais e da justiça. Essas estórias de pessoas serem assassinadas pelo tráfico levantam sérias dúvidas, pois até os postes sabem que tem envolvimento de outros grupos organizados nesses delitos. Assim como esses grupos dão uma falsa sensação de segurança, acabam atuando para o crime organizado ou até substituindo-os através de "prestação de serviços". Se isso resolvesse, a criminalidade não estaria em níveis alarmantes. Isso é resultante do colapso das políticas de segurança e de educação no Pará. A ignorância e o medo distorcem a percepção coletiva de como lidar com o crime com base nas leis vigentes, passando a adotar práticas criminosas como o linchamento e o extermínio por justiceiros, como formas distorcidas de solução. O governo inerte e sem a capacidade de debater esses temas com a sociedade, limita-se a propagandear ações cosméticas e milionárias de um estado ideal que só existe nas telas de TV e jornais, mesmo mantém o sistemático sucateamento dos órgãos de segurança, basta observar as condições de trabalho, de material e salarial degradantes em que são submetidos os nossos policiais. Do que adianta o PSDB deixar pra realizar ações anêmicas e eleitoreiras no último ano de governo, o que não conseguiu em 20 anos no poder neste estado, que só serviu para o enriquecimento e concentração de renda de seus aliados? Como pensar numa juventude com futuro e dignidade, se no Pará não há geração de empregos na indústria; se há limitações e deficiências na formação educacional técnica e cientifica em escolas sucateadas e com professores e alunos desmotivados; se existem muitas precariedades e limitações de aprendizagem técnica e estabilidade no primeiro emprego; se o ensino universitário continua sendo excludente; se o que está recrutando os jovens são o mercado informal e o tráfico. Pra piorar ainda há a ausência de planejamento familiar e a sua desestruturação. É lamentável que não haja nenhum movimento de pacto entre sociedade e governo para efetivar soluções. O que há é muito proselitismo eleitoreiro.
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