Futebol e a corrupção na mídia
Num país em que a Rede
Globo comanda esta paixão nacional, inclusive impondo os horários das
partidas, a entrevista até que poderia servir para investigar mais a
fundo estas sinistras relações.
Segundo o jornalista, a nova direção do Esporte Clube Bahia tem
promovido uma devassa nas contas da gestão anterior, presidida por
Marcelo Guimarães Filho. "A investigação inicial foi consequência da
intervenção decretada pela Justiça em 2013, ação esta acompanhada pelo
ministério público federal e estadual. Já a divulgação de uma lista com
21 radialistas que teriam sido beneficiados, em gastos com 'marketing' e
despesas várias, se deu, segundo o atual presidente, porque assim
determinam 'o Estatuto do Bahia, a lei de acesso à informação e a
Constituição'".
Na entrevista, Fernando Schmidt fala sobre as mutretas existentes entre o
antigo presidente e a mídia. "Um dos gastos, pagos pelo Bahia, é com a
'transmissão de jogos'… Ora, me poupem! É função do Bahia pagar pela
'transmissão de jogos'?". Ele também fala sobre "passagens aéreas,
hospedagens, despesas como, por exemplo, R$ 16 mil num único jantar com
amigos numa churrascaria", sempre envolvendo cronistas de futebol.
Schmidt ainda relata suas tentativas infrutíferas para renegociar os
direitos de transmissão dos jogos do Bahia com a TV Globo.
"Hoje, no futebol brasileiro, o que há é uma bagunça, vários atores
mexendo nisso e em tudo ao mesmo tempo, e não há confluência para um
mesmo objetivo. A Globo mexe, a CBF mexe, as federações, o Bom Senso, o
ministério mexe, as arenas…uma bagunça". Segundo a reportagem, ao abrir
suas contas na semana passada, a direção do Esporte Clube Bahia exibiu
"gastos de R$ 865 mil com comunicação, crônica esportiva, radialistas".
"Há despesas com gente de empresas de comunicação, mas não apenas:
também há aluguel de automóvel com parente, tem os amigos etc. Em
relação a radialistas, ao jornalismo esportivo propriamente, há
absurdos", relata Schmidt.
(Altamiro Borges)


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