Desconfio que o governador Simão Jatene já esperava pela vaia e todo tipo de hostilidades que passou na tal aula inaugural proferida na UEPA, ontem(17). Ninguém melhor do que ele para saber dos riscos que corria, por isso o mais lógico era recomendar ao seu cerimonial que tivesse certos cuidados e guardasse um certo rito solene que ao menos reduzisse a manifestação de insatisfação generalizada, propícia em um ginásio de esportes.
Na verdade, o governador parece mais estar empenhado em convencer aqueles que querem vê-lo candidato de qualquer jeito que não é ele o homem certo no lugar certo. Que um nome com cara de novidade pode emplacar e, através de uma campanha feita com competência, vencer as eleições mantendo esse grupo no poder, enquanto com ele a derrota é certa, dadas essas constantes manifestações de hostilidade que sofre aqui e alhures.
Claro que ele pouco se importa com a guerra de bastidores que seu afastamento irá acirrar, no entanto, fica claro que isso não é tudo. Há um sentimento generalizado que esse governo acabou, diante de suas constantes ausências do cargo, isto, sim, o motivo principal dos sucessivos embates em torno do espólio. Além disso, o rompimento com o PMDB significou uma derrota política gigantesca que o aparato midiático que concorreu pro rompimento não conseguiu evitar. Quando Simão percebeu, já era o quinto pior do país.
Agora, os mesmos que o levaram a essa situação querem que assuma o papel do cruzado El Cid: politicamente morto, pretendem amarrá-lo ao cavalo e atirá-lo no meio da batalha, ao que ele resiste e tenta desconstruir por saber tratar-se de empreitada inglória e fadada ao fracasso. Então, resta o cumprimento dessas agendas suicidas, como a de ontem na UEPA, seguidas de um mergulho profundo na reclusão. Até o momento sonhado. O da renúncia, da renúncia, da renúncia. Credo!

3 comentários:
Sr Blogueiro, torço por um embate no 2º turno entre Simão Jatene e Ana Júlia Carepa (que tem atualmente cerca de 25% das intenções de voto, no estado do Pará. E, isso sem ter um veículo de comunicação do lado, nem estar no poder)
O jornal "oficial" destacou que tudo foi as mil maravilhas na aula magna.
Jatene tem problemas irreversíveis como a dificuldade com própria base aliada, quando as vezes a trata a pão e água (quando há). Atura a pressão dos camaleônicos e famintos quadros do seu partido, o que prejudica o sofrível pácto de governabilidade ( no Pará o que vigora é o pacto da mediocridade).
Apresenta dificuldades na execução obras estruturantes e de impacto, já que as executadas são de pouca expressão e visibilidade ( mesmo tendo gasto mais de 40 milhões em propaganda em 2013), além de deixar outras (eleitoreiras) para o final do governo, tática que não deu certo no governo passado.
Pena pra conseguir recursos além dos arrecadados no estado, através de altos tributos, que castigam os mais pobres, isso é prova de que o Pará é campeão em má distribuição de renda, já que cerca de 73% da população vive com um salário mínimo. Não inspira confiança do Governo Federal, portanto as torneiras da união estão gotejando. Apresenta fragilidade em conseguir carrear recursos externos, graças a incompetência de seus vagarosos e desinteressados asseclas.
Limitado a intermináveis reuniões de gabinete, sofre diante a anêmica condução de políticas de atração de investimento privado voltados à industrialização no estado (mesmo assim tem industrias de amigos do governo que chegam a ter isenção tributária de até 95%) e ainda patina pra conduzir projetos e investimentos em logística, já que não tem diálogo com a federação.
Outra ação danosa foi resultado da política desastrada do PSDB em eliminar a cobrança de ICMS sobre minérios retirados do estado, combinada através da famigerada lei kandir, que fez com que o estado perdesse em 18 anos mais de R$ 20 bilhões, bomba armada pelo PSDB em 1996 e que hoje explodiu no colo dos próprio Jatene, que na época era supersecretário do Almir.
Erro grave do PSDB nativo, que pode ser considerado com crime de lesa sociedade, foi a conivência com a privataria da Celpa e da Vale do Rio Doce, conduzidas por FHC, Almir e Jatene e que até hoje não prestaram contas e sequer foram responsabilizados pelos prejuízos causados à população.
Pra piorar o sombrio cenário, ainda consegue dar tiros nos pés como as desastradas políticas de arrocho dos salários e benefícios dos servidores estaduais, das precárias políticas públicas para a educação e segurança pública, que excluem o direito a dignidade a milhares de jovens, restando a eles o mundo da marginalidade, as amontoadas e imundas penitenciarias, quando não a morte, daí surge o vergonhoso título de terceiro estado mais violento do País.
Ainda tem o assistencialismo melhorado como as cirurgias de catarata realizadas pelo mega programa Propaz, de sua filha (que deveria ser realizado pelo SUS). Mesmo que não tenhamos acesso aos resultados em números e valores gastos. Ou alguém já ouviu falar em prestação de contas públicas desse governo?
A política habitacional? Tem cheque moradia pra dar uma guaribada no barraco.
Um governo que incha a máquina com custeio de inúmeros órgãos ineficientes e caros, sobrecarrega a folha de pagamento com mais de 15 mil servidores entre temporários e DAS, que na maioria atuam como cabos eleitorais. Que se deixa permear por práticas nocivas como o nepotismo, tráfico de influencia e de velhos escroques da velha política (ORM). Um mandato que ainda não disse ao que veio e que está tecnicamente falido. Mesmo sob vaias, ainda resiste no poder por culpa um povo de comportamento bovino.
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