É digna de elogios a reação do presidente do PT, Rui Falcão, à canalhice do ministro tucano do STF, Gilmar Mendes, pondo em dúvida a lisura das doações feitas aos companheiros Genoino Neto e Delúbio Soares a fim de pagar a multa de ambos junto a justiça brasileira. Mais grave tornou-se a insinuação maldosa porque feita sem o acompanhamento de qualquer fato ou raciocínio que justificasse a desconfiança. Tratou-se apenas de reação politiqueira da parte de quem desonra o cargo que ocupa.
Todavia, a justa reação do companheiro Falcão não pode ser a única medida que o partido deve tomar contra mais essa agressão sofrida. É preciso que algo mais seja feito para que se coloque um freio na produção de factoides que tendem sempre a se transformar em espetáculos midiáticos acalentando a obsessão, já não mais oculta, de derrubar o governo petista. Trata-se de um ministro da mais alta Corte do país, que vive a dar mostras de que prescinde da conduta ilibada que seu cargo exige, em troca do desempenho de esfarrapado papel do irresponsável oposicionista governamental.
Detentor da maior bancada na Câmara Federal e protagonista importante no Senado federal, é preciso que o partido use desse protagonismo para fazer respeitar sua relevância política contra essas agressões. A propósito, a deposição da presidência do Tribunal de Justiça da Bahia de um desembargador metido até o pescoço com as mais diversas falcatruas, fazendo parte desse elenco delinquente a suspeita da assinatura de um contrato milionário entre o meliante citado e o ministro Gilmar, cuja empresa teria sido favorecida pela famosa dispensa de licitação, devem os companheiros petistas coonestar as investigações feitas pelo Conselho Nacional de Justiça. Afinal, quem sabatina os ocupantes de cargos dessa natureza para saber se preenchem os requisitos formais exigidos para exerce-los é o Poder Legislativo, logo, cabe a ele, Legislativo, reparar eventuais equívocos cometidos.
E isso não se significa vingança, mas sair dessa modorrenta rotina institucional que fecha os olhos à impunidade alheia, em troca de omissão semelhante que o beneficie, esporadicamente mexida por episódicas homenagens do vício à virtude. Se vivemos um tempo de passar a limpo a função pública, conforme recente exigências ecoadas das ruas, então, eis aí uma ocasião propícia.


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