Após reação insatisfatória do Estado brasileiro sobre as supostas
atividades ilegais de espionagem e infiltração praticadas contra
movimentos e organizações da sociedade civil por empresas privadas, a
FIDH – Federação Internacional de Direitos Humanos - , no âmbito do
Observatório para a Proteção dos Defensores de Direito Humanos, programa
conjunto com a OMCT – Organização Mundial de Combate à Tortura, realiza
uma missão de investigação, desde o dia 9 de fevereiro, no Brasil.
Dois
casos de atividades ilegais de espionagem e infiltração praticados por
empresas privadas vieram à luz em 2013. Após a revelação de um
ex-funcionário, descobriu-se que a Vale SA, uma das maiores mineradoras
do mundo, espionava movimentos sociais, organizações da sociedade civil,
trabalhadores e sindicalistas, entre eles Justiça Trilhos e Movimento
dos Trabalhadores Sem Terra (MST), mediante escutas telefônicas,
interceptação de e-mails e acesso ilegal a informações.
O
Consórcio Construtor da hidrelétrica de Belo Monte também utilizou da
mesma prática. Numa reunião do Movimento Xingu Vivo para Sempre (MXVPS),
foi descoberta a presença de uma pessoa infiltrada que admitiu ter sido
contratada pelo Consórcio. Além disso, as comunidades indígenas
afetadas pelo projeto não foram devidamente consultadas e a Comissão
Interamericana de Direitos Humanos ordenou, em 2011, o estabelecimento
de medidas de precaução a favor da suspensão da construção, o que causou
tensão entre o governo brasileiro e a CIDH.
Missão da FIDH no Brasil
Diante
dessa sucessão de fatos, a FIDH enviou uma missão que já está no
Brasil, composta pelo advogado Alexandre Faro, que representou o
Greenpeace no processo contra a empresa estatal francesa de energia EDF,
conseguindo a condenação da EDF ao pagamento de 1.5 milhões de euros
por acesso ilegal de arquivos da organização.
Também faz parte da
missão a advogada franco-colombiana Jimena Reyes, chefe do escritório
FIDH Américas, que representa perante a Corte Interamericana de Direitos
Humanos indígenas indevidamente criminalizados. Eles investigarão os
fatos acima expostos e o andamento dos processos judiciais.
Durante
a missão no Brasil, seus membros se reunirão com as vítimas e os
movimentos sociais, as partes interessadas e representantes do governo e
do Judiciário. As entrevistas não só atenderão aos eventos que
ocorreram, mas a possibilidade de modificar o marco normativo para
evitar que os mesmos eventos voltem a ocorrer.
(Justiça Global)

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