Além da leviandade marcante na insinuação maldosa do ministro Gilmar Mendes, colocando sob suspeita a doação solidária que militantes petistas, cidadãos indignados com a própria postura do STF, amigos e parentes aos apenados da AP Nº470 que lhes permitiu arranjar recursos suficientes para pagar as multas impostas, embora conduta incompatível com a exigência do cargo não seja novidade em se tratando de Gilmar Mendes, ressalta agora a extrema covardia demonstrada, tanto por Gilmar quanto por uma parte da imprensa que resolveu abordar o episódio.
Segundo o jornalista global Gerson Camarotti afirmou hoje, na Globo News, Mendes resolveu responder ao senador Eduardo Suplicy, que lhe enviara uma carta afirmando serem as tais doações legais, apenas depois que o ministro Luís Fux havia mandado arquivar interpelação judicial feita pelo presidente do PT ao ministro Gilmar. Camarotti afirmou que a carta resposta era datada do dia 12, no entanto, apenas depois do arquivamento é que seu autor resolveu comentá-la. Da mesma forma, o jornalista também só se referiu a carta do senador petista depois de ter feito todo um contorcionismo hermenêutico pra fazer o telespectador digerir as razões do ministro. Ou seja, covardia na atitude do ministro, que fala o que bem quer depois que a atitude corporativa de um colega o desobriga de republicanamente falar em juízo; e covardia do solerte jornalista, que omitiu irresponsavelmente a interpelação judicial.
Outro aspecto covarde na atitude do ministro acusador é a afirmação de que tais doações ridicularizam a justiça brasileira, certamente uma vingança mesquinha contra o ex-presidente do STF, Nelson Jobim, que havia desmentido publicamente Gilmar, quando este afirmou que Lula havia pedido a ele- Gilmar- que intercedesse para que o citado julgamento não ocorresse. Como Jobim foi um dos doadores, então, o ministro Mendes aproveitou a ocasião para agir de forma rasteira e afirmar enviesadamente que um ex-presidente da mais alta Corte do país ridiculariza a justiça brasileira.
Decididamente, se a lisura dos julgamentos de Nuremberg dependessem da conduta ilibada demonstrada por uma parte dos nossos ministros, seguramente aquele episódio da história ocidental jamais seria marcado como um exemplo de altivez e coragem moral, e sim como algo capaz de provar até onde vão a covardia a prepotência e a ausência total do sentido de justiça de quem ignora os princípios éticos exigidos de quem ocupa função pública tão relevante. Triste!

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