A escolha de Simão Jatene pelo Grupo Liberal fez dele refém de um extrato político elitista e pouco representativo, resultando disso seu quase isolamento político, em contraste com a força que vem demonstrando a articulação feita por Helder Barbalho, conforme se pode notar pelos eventos partidários ocorridos no sábado último(22), quando apoios importantes foram declarados em público à uma aliança que já vem sendo costurada há tempos por PMDB e PT, independente das dissidências verificadas dentro deste último.
Não por acaso, o jornal O Liberal, uma espécie de porta-voz do governador, sem ter muito o que anunciar, repetiu por vários dias uma nota em que anunciava a adesão do PTN ao governo do estado, lembrando que se trata de partido desprovido de representatividade no parlamento em todos os níveis, o que significa ser esse anúncio mero exercício daquela atitude considerada desespero que a sabedoria popular caracteriza pela conhecida frase, 'não tem tu, vai tu mesmo'.
Com cheiro de 1982, quando o então governador Alacid Nunes, desafeto do manda-chuva mór da ditadura militar/empresarial cá no Pará, Jarbas Passarinho, colocou a máquina do governo do estado a serviço de Jader Barbalho e isolou o partido de sustentação do regime, percebe-se que Jader Barbalho e Paulo Rocha vão costurando um dos leques mais amplos, se não o mais amplo, que já se formou em torno de uma candidatura oposicionista e contra o detentor da caneta e do Diário Oficial, o que dá bem a dimensão das dificuldades que vão se formando contra o atual governador.
Claro que a situação é bastante diferente o pedessista Oziel Carneiro, no entanto, a retórica pemedebista vem carregando que se trata de derrotar o inimigo tucano a encarnação do mal, indiferente ao fato que fazia deles aliados até cerca de um ano atrás, o que prova cabalmente que não se trata de antagonismo entre projetos, mas disputa pelo cargo mais alto do estado, mesmo que a pasmaceira atual seja simbolizada pela falta até de uma sede oficial que se possa chamar de 'Palácio do Governo'.
Resta saber, confirmado o êxito dessa ampla aliança, se o day after será semelhante ao que caracterizou o governo que ora caminha para o fim, quando tantos guarda chuvas tiveram que ser construídos para abrigar ao artífices da vitória que foram precisos dois anos para que fosse consolidado o primeiro staff governamental, logo desfeito em razão da querela já referida. Na hipótese em questão, sabe-se que há mais mobília do que cômodos que as abriguem, o que deixará muita coisa ao relento. Todavia, o mais grave é a perspectiva da repetição da prática da governança para os aliados, o que significa que também ficarão ao relento as mais legítimas esperanças alimentadas pela população. Preocupante!

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