Todo político que renuncia a um mandato eletivo está sempre tramando sua volta. Fora os exemplos extremos daqueles que o fizeram para escapar do pior, como de iminentes cassações, resta na memória daqueles que viveram o período a renúncia do udenista Jânio Quadros, em agosto de 1961. Jânio havia sido eleito com votação consagradora em uma eleição cujo mote de campanha pode ser resumida no seu símbolo, uma vassoura, bem como o jingle que dizia, "Varre, varre vassourinha, varre, varre a bandalheira, que o povo já está cansado de viver dessa maneira..."
Conseguiu desagradar a direita e a esquerda com seu comportamento tresloucado e ações que primavam pela dubiedade. Ao mesmo tempo que condecorou Ernesto 'Che' Guevara, foi capaz de baixar um decreto proibindo o uso de biquinis em público.
Ao perceber que desagradava os dois lados, tentou pegar o país de supetão mandando um bilhete ao seu chefe da Casa Civil anunciando a renúncia. E foi pra casa esperar que o povo o conduzisse de volta ao governo, dessa vez mais fortalecido e livre das cobranças, principalmente de aliados inconvenientes como Carlos Lacerda. O restante da história todos sabem seu desfecho.
Mesmo em situação nada semelhante, a anunciada renúncia ao mandato e a provável disposição(?) de não concorrer à reeleição de Simão Lorota não pode ser tomada como fato consumado. Essa saída brusca de cena pode muito bem ser resumida no dilema de quem se encontra entre ser o insigne partinte ou insigne ficante. Muito mal avaliado e praticamente isolado politicamente, brigou com o seu mais forte aliado político e midiático por pressão de quem não tem peso político e sente a maré da derrota já ultrapassando o nível do porão de sua nau à deriva.
Assim, sai de cena e espera que o foco da insatisfação siga em outras direções. Lá adiante, dependendo do quadro, pode ser até que algum dividendo político apareça em forma do surgimento de obras que já deveriam estar prontas, mas que ele retardou suas conclusões, visando coincidir suas inaugurações com o período eleitoral. Aí pode ser a hora do retorno por cima e a retomada do comando do segmento conservador do estado.
Sonho distante? Claro. No entanto, qualquer coisa é melhor do que o martírio diário(sem trocadilho) de ver expostas as entranhas de um governo de resultados pífios e nefastos ao conjunto da população que nem o caríssimo cenário fantasioso montado foi capaz de provocar as ilusões, que perderam de goleada pras frustrações. Paciência!

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