
Ainda, a respeito do comportamento inusitado do ministro Joaquim Barbosa, publico texto que me foi enviado pelo amigão Romerson Rodrigues, de autoria de Solano Trindade, originalmente publicado no 'Blog Sujo'.
"As elites brasileiras sempre utilizaram indivíduos ou grupos, oriundos dos segmentos oprimidos para reprimir os demais e mantê-los sob controle. Capitães de mato negros que caçavam seus irmãos fugidos, capoeiristas pagos para atacarem terreiros de candomblé, incorporação de grande quantidade de jovens negros nas polícias e forças armadas, convocação para combater rebeliões, como a de Canudos e Contestado, são exemplos da utilização de negros contra negros ao longo da nossa história.
Havia entre eles quem acreditasse ter conquistado de maneira individual o espaço que, coletivamente, era negado para o seu povo, iludindo-se com a idéia de que estaria sendo aceito e incluído naquela sociedade. Ansiosos pela suposta aceitação sentiam necessidade de se mostrarem confiáveis, cumprindo a risca o que se esperava deles, radicalizando nas ações, na defesa dos valores dos poderosos e da ideologia do “establishment” com mais vigor e paixão do que os próprios membros das elites.
Joaquim Barbosa se tornou o primeiro ministro negro do STF como decorrência do extraordinário currículo profissional e acadêmico, da sua carreira.Todavia, jamais teria se tornado ministro se o Brasil não tivesse eleito, em 2003, um Presidente da República (LULA) convicto que a composição da Suprema Corte precisaria representar a mistura étnica do povo brasileiro.
O ministro vive agora o sonho da inclusão plena, do poder de fato, da capacidade de fazer valer a sua vontade. Vive o sonho da aceitação total e do consenso pátrio, pois foi transformado pela mídia em um semideus, que “brandindo o cajado da lei, pune os poderosos”.
O fato é que o seu sonho é curto e a duração não ultrapassará a quantidade de tempo que as elites considerarem necessário para desconstruir um governo e um ex-presidente que lhes incomoda profundamente.
O sonho de Joaquim Barbosa e a obsessão em demonstrar que incorporou, na íntegra, as bases ideológicas conservadoras daquele tribunal e dos setores da sociedade que ainda detém o “poder por trás do poder” está levando-o a atropelar regras básicas do direito, em consonância com os demais ministros, comprometidos com a manutenção de uma sociedade excludente, onde a Justiça é aplicada de maneira discricionária.
A aproximação com estes setores e o distanciamento dos segmentos à quem sua presença no Supremo orgulha e serve de exemplo, contribuirão para transformar seu sonho em pesadelo, quando àqueles que o promoveram à condição de herói protagonizarem sua queda, no momento que não for mais útil aos interesses dos defensores do “apartheid social e étnico” que ainda persiste no país.
Certamente não encontrará apoio e solidariedade nos meios de esquerda, que são a origem e razão de ser daquele que, na Presidência da República, homologou sua justa ascensão à instância máxima do Poder Judiciário.
Dos trabalhadores das fábricas e dos campos, dos moradores das periferias e dos rincões do norte e nordeste, das mulheres e da juventude, diretamente beneficiados pelas políticas do governo que agora é atingido injustamente pela postura draconiana do ministro, não receberá o apoio e o axé que todos nós negros – sem exceção – necessitamos para sobreviver nessa sociedade marcadamente racista."

Um comentário:
Deu no DOL:
"Piada de Barbosa repercute nas redes sociais
Sexta-Feira, 17/05/2013, 09:36:00 - Atualizado em 17/05/2013, 10:44:05
Uma piada feita por Joaquim Barbosa, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), deu repercutiu na internet e revoltou advogados do Brasil inteiro. A anedota, que falava que os juristas acordavam "lá pelas 11 da manhã" foi proferida por Joaquim na última terça-feira (14), durante sessão no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O ato do ministro pegou os advogados de surpresa e muitos deles se mostraram ofendidos com a afirmação. Para isso, as redes sociais, como o Facebook e o Twitter, foram as ferramentas onde os profissionais e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) se pronunciaram sobre a questão.
"Bom dia, Joaquim! Os advogados daqui de casa já começaram com seus afazeres, às 5:50 da manhã. E o senhor?”. Essa foi a primeira reação da secretária-geral da OAB do Distrito Federal, Daniela Teixeira, que indagou em uma das redes se o ministro já estava na ativa.
Alguns comentários, um pouco mais acalorados, como de Ibanes Rocha, presidente da OAB-DF, afirmava que a piada desmereceu a classe. "O ministro Joaquim Barbosa, mais uma vez, utiliza o cargo que ocupa para atingir gratuitamente aqueles que sempre estiveram ao lado da cidadania e da democracia, sem lembrar que foram sempre os advogados brasileiros que acordaram cedo para os destemperos antidemocráticos, como os que vemos reverberar da boca e das ações pensadas de Sua Excelência", desabafou.
“Algum colega que tenha o telefone celular do Min. Joaquim Barbosa pode compartilhar, para que possamos ligar ou mandar um SMS desejando-lhe bom dia assim que cada um de nós acordar?”. A sugestão foi feita pelo advogado Isley Dutra, de Brasília.
Na página da OAB Jovem da seccional fluminense da OAB, os advogados publicaram uma foto o ministro em que parece estar cochilando no plenário do Supremo. Com a frase: “Acordo cedo, mas durmo no plenário”.
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