Jorge Paz Amorim

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Belém, Pará, Brazil
Sou Jorge Amorim, Combatente contra a viralatice direitista que assola o país há quinhentos anos.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

As pesquisas, as análises e o resultado das eleições

Provavelmente, esta seja a última eleição em que a tática da direita obedeça o rito das pesquisas pré eleitorais, sempre favoráveis aos seus candidatos, seguidas das análises dos colunistas dos jornalões, TVs e rádios, demonstrando(?) uma tendência da retomada da hegemonia política no país por essa cada vez mais minoritária ala conservadora e elitista, mas, que, à medida da proximidade do dia do pleito, adequa-se à realidade a fim de manter o que resta de credibilidade. Não por acaso, Nelson Peregrino tirou uma diferença de mais de 40 pontos, que o separavam de ACM Neto; Elmano, em Fortaleza, tinha 3% das intenções de voto e era dado como atestado da má avaliação da prefeita Luiziane(PT), hoje Elmano lidera; Haddad também era dado como uma aventura lulista com o intuito de prejudicar Marta Suplicy e hoje o ex-ministro é nome quase certo no 2º turno; em Belo Horizonte, mesmo tendo que lançar-se às pressas, para enfrentar a artimanha da dupla Ciro Gomes/Aécio Neves, Patrus Ananias está prestes a forçar um segundo turno, retirando uma diferença de cerca de 15 pontos, do atual prefeito Márcio Lacerda; e até em Recife, onde o petista Humberto não está bem, é público e notório que o atual prefeito, petista, apoia o candidato do PSB, certamente descontente por ter sido preterido pela cúpula do seu partido.
Segundo as expectativas da área política do governo federal, sua base aliada sairá vencedora em 2/3 dos municípios, reduzindo a oposição à uma figuração tão inexpressiva que dependerá de aliados governistas para sobreviver aderindo, por vias transversas, ao governo. Não é à toa que os caciques da ex-ARENA, ex-PFL e agora DEM reestudam a possibilidade de ingressar em massa(falida) no PMDB, coisa que provocaria frouxos de riso em Ulisses Guimarães.
Restam os conglomerados familiares/midiáticos/empresariais, bem como seu mais recente aliado, o STF, para tocar em frente inglória tarefa de substituir a "fraquinha" quase moribunda. De resto, um caminho perigoso a julgar pelas experiências recentes, principalmente as verificadas no Paraguai e em Honduras.
No entanto, a arma das pesquisas não poderá ser utilizada, pois significaria fraude acintosa levando-se em conta os índices de popularidade de Lula e Dilma, contra os quais é pouco provável que surja, daqui até o final de 2013, alguém da direita capaz de dar a largada para 2014 à frente nas pesquisas.
Resta, então, o aprofundamentamento da "torquemadização" da política, capaz de transformar em processos judiciais a perseguição aos favoritos. Joaquim Barbosa já anunciou que, após o julgamento da AP Nº470, há uma grande possibilidade de abrir-se investigações contra petistas, sendo citados Benedita da Silva e Vicentinho, em clara tentativa de manter vivo o processo de desgaste do PT pela via jurídico/midiática. É o tatear golpista em busca de inviabilizar Lula e Dilma.
Enquanto isso, o esquema de Eduardo Azeredo, do Daniel Dantas, do Marcos Valério continua impune e seus mentores, fora o publicitário, livres e soltos e a pauta do STF fortemente determinada pelo noticiário faccioso da mídia, constituindo-se, com efeito, no coroamento de um processo iniciado a quando da investidura de Gilmar Mendes na presidência da Corte, período em que a oposição batia sistematicamente na porta daquela Corte a fim anular votações em que havia sido derrotada no Congresso Nacional.
A meu juizo, resta à situação combater essa artificialização trazendo de volta a política para dentro de seu habitat. De fato, é hora de inserir na pauta dos trabalhos do Poder legislativos temas caros aos interesses nacionais e que signifiquem ruptura com um cipoal de leis anacrônicas e que só servem para manter privilégios de castas. Nunca é demais ressaltar que o maior mal causado pela transição democrática feita à imagem e semelhança dos interesses dos donos do poder naquele momento, foi a conservação quase que intacta do chamado "entulho autoritário", garantia da não ruptura com o regime autoritário.
Enfim, se as forças progressistas que governam o país não politizarem a política, os reacionários que sempre viveram do golpismo continuarão a criminalizá-la e a judicializá-la sob o viès mais reacionário que se conhece: seu jugo à ótica do moralismo hipócrita e seletivo. Preocupante!   

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