Jorge Paz Amorim

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Belém, Pará, Brazil
Sou Jorge Amorim, Combatente contra a viralatice direitista que assola o país há quinhentos anos.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

"Nós ainda não sabemos o que queremos. Só sabemos o que não queremos"

Se nós, brasileiros comuns, que usamos a internet para nos comunicar com o mundo tivéssemos a mesma obsessão por rótulos desses escrevinhadores tendenciosos e falsários que povoam a nossa decadente mídia, poderíamos muito bem dizer que a redução no preço do transporte coletivo em duas das maiores cidades do país significa mais um passo no rumo da destruição do estado privata montado por FHC e seus caribenhos. Naquele período, como ainda é bem lembrado, apenas tarifas de serviços de energia, transporte, abastecimento de água, telefonia e tudo mais que foi entregue à sanha do lucro tinham garantia de reajuste, penalizando duplamente a população, com péssimos serviços prestados e funcionamento sem o mínimo de decência na prestação desses.
Com a redução dos preços da conta de luz, fim da cobrança de certos tributos que incidiam sobre os produtos da cesta básica e, agora, atendendo o clamor das ruas, colocando na ordem do dia o debate a respeito do preço do transporte coletivo, mais um setor empresarial até aqui intocável, cujo lucro sempre teve prevalência sobre os interesses coletivos, vai vendo ameaçar ruir essa hegemonia senhorial com a inversão dessa lógica perversa.
Esse aprofundamento do debate, provavelmente levará a experimentarmos aquilo que aconteceu no caso das contas de energia. Se ficar mais clara, sofrerá fortes ataques da mídia e de políticos da direita que atualmente apoiam oportunisticamente essas manifestações, pois veem nelas um fator de desgaste do governo federal. Certamente mudarão de posicionamento, principalmente porque o candidato deles à sucessão de Dilma, o tucano Aécio Neves, é grande defensor histórico e hereditário dos interesses comerciais de empresas de transporte coletivo interestadual e intermunicipal, devendo desempenhar esse papel com a mesma fúria que agiu contra a redução das tarifas de energia elétrica, para defender agora o setor do qual é o mais notório lobista.
De qualquer modo, à medida que o tempo passa, vai ficando mais nítido que a pauta de reivindicações dessas manifestações nada tem a ver com aquilo que um dia sonhou nossa reacionária mídia e pode ser entendida recorrendo-se àquela frase que bem resumiu os objetivos dos que fizeram a Semana de Arte Moderna, em 1922, "Nós ainda não sabemos o que queremos. Só sabemos o que não queremos". Ficou claro?  

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