Com a mesma fisionomia impassiva de quem anuncia o novo e condena o ultrapassado, uma coluna do papelucho reacionário que se diz liberal ressalta, com o devido aprovo, uma declaração do ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, que "considera políticos proprietários de veículos de comunicação uma excrescência"; anuncia que um dos herdeiros do presidente-executivo desse grupo dono de jornais, rádio, televisão "vai enfrentar o teste das urnas e se lançar à Câmara Federal na eleição de 2014" para, segundo, ainda, a contraditória nota, "renovar essa velha tabacaria política política de vícios em que se transformou a vida partidária no Pará."
Mesmo assim, o "novo" é anunciado como uma espécie de símile anacrônico do ex-governador, interventor, senador Magalhães Barata, ficticiamente alcunhado de "Cagarráios Palácio", no célebre livro de Haroldo Maranhão, 'Rio de Raivas', cujo enredo traça o perfil da cena política paraense dos tempos de Barata, a partir de um banho de merda que um correligionário deste manda dar em um jornalista que não rezava por sua cartilha.
A julgar pela assemelhada matéria do livro atirada em cima dos demais políticos na nota, inclusive naqueles que desembolsam régias quantias em forma de publicidade para saciar os apetites do grupo a que pertence o "herdeiro"; e pelo anúncio prematuro da adoção da célebre máxima baratista, "aos amigos os favores da lei, aos inimigos os rigores", conforme constata-se na adoção dos dois pesos e duas medidas morais para a propriedade de veículos de comunicação, tudo indica que o menino vai longe.

Um comentário:
Os imorais, seu Na Ilharga, fazem essa puxação de saco ao ministro Paulo Bernardo porque conseguiram duas concessões de rádio FM em Belém, Lib Music e Liberal/CBN e outras tantas pelo interior, exercendo o monopólio político da comunicação que o PT tanto combate, mas que seus representantes no governo afrouxam e favorecem até hoje nem sei por qual motivo.
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